poesias inacabadas

em qualquer formato

e devoro com o olhar aquilo que não pude fazer de outra forma

teu corpo

meu tudo

teu globo

meu mundo…

cambaleante, machucado da batalha passada, ele vem arrastando-se.

arrependido do disparo impensado, que machucou a todos que estavam próximos

tão fácil julgar aquele que tentava ajudar a vencer uma guerra e acabou dilacerado e incompreendido.

e agora tão fácil duvidar das suas intenções também.

naquele julgamento, às vistas de um juiz míope, o grande cenário não conseguia ser interpretado.

como se não bastasse, havia um olhar que voltava-se muito para o lado pessoal.

não conseguia ver o que havia ocorrido com aquele guerreiro anteriormente, entender o esforço que ele fazia ao caminhar. o bem, aquele que está acima do certo ou errado, da política, da retórica, do discurso apaixonante que não diz nada, tudo passou despercebido. julgou com a fúria tola de quem não conseguia entender.

logo sentenciou-o. e só então pôs-se a duvidar do que fizera.

“o barulho é relativo ao silêncio que o precede…”

“eles quebraram a tua janela… e você não disse nada.

eles invadiram sua casa, pegaram o controle da tv e escolheram o que você ia assistir… e você não disse nada.

eles roubaram seu dinheiro… e você não disse nada.”

foi assim que aconteceu, e é dessa forma que eu explico a apatia que existe em todos nós. é triste, mas é algo nosso. descobri um termo que explica um pouco disso lendo “Outliers - Malcolm Gladwell”: índice de distancia do poder (IDP). resumindo, o índice analisa as atitudes em relação a hierarquia e como se comporta com relação a autoridade. e, voilá, o brasileiro é bem distante do poder.

não sabemos como conversar com quem tem autoridade, temos medo de falar que algo está errado, que estão fazendo algo de forma errada. colocamos eles no poder e nos afastamos da nossa obrigação de cobrar.

estranho, não? mas somos assim, infelizmente. só que algo mudou - ou, pelo menos, está começando a mudar. passamos a ter um sonho brasileiro e nossa juventude se mostra cada vez mais global.

os fatos dessa última semana em teresina mostra que saímos do conforto(?) pra reclamar de algo que há muto nos incomodava, mas que não tinhamos coragem de reclamar.

centrifugou-se toda a vontade daqueles que acreditavam que podiam mudar algo mas, principalmente, daqueles que já não acreditam que podemos mudar alguma coisa.

não temos uma luta ganha, e eu nem acho que a importância do que ocorreu deva ser de uma vitória contra o aumento inexplicável e ridículo da tarifa de ônibus. na minha cabeça, o ponto positivo é mostrar que foi possível fazer com que um político voltasse atrás em sua decisão. isso, de longe, mostra àqueles que permanecem apáticos que lutar pelo que se quer não é algo tão impossível quanto achávamos que era.

passamos muito tempo calados, reclamando apenas durante o almoço assistindo ao jornal ou com alguns amigos (seletos). no entanto, como disse Alan Moore através de seu personagem em V de Vingança:

“o barulho é relativo ao silêncio que o precede. quanto mais absoluta a quietude, mais devastadoras as palmas. nossos governantes não ouvem a voz do povo há gerações, Evey…e ela é muito mais alta do que eles se recordam.”

preciso falar mais? preciso, não hoje, não agora, hoje eu só vou pedir. peço que leiam algumas distopias para que entendam um pouco do mundo como ele é hoje.

sou fã do gênero, como previsão de um futuro(para a época da criação) que é presente, e como formação de um pensamento um pouco mais crítico.

sugiro a leitura de “V de Vingança” - e como um plus, assistão ao filme também -, “Fahrenheit 451” de Ray Bradburry - relata uma sociedade que proíbe a leitura de livros e a função dos bombeiros é queimá-los; há um filme também, gravado em mil novecentos e antigamente, por voltada década de 70 ou 80 -, “1984” do George Orwell, que eu ainda não li, mas sei que é uma distopia F-O-D-A - dá um google aí, e ainda no Orwell tem  “A Revolução dos Bichos”; por fim, vai “Admirável Mundo Novo” do Aldous Huxley - google it too.

Deixo, por fim, o lema do Anonymous e peço que conheçam a proposta do grupo:

“Somos uma legião.

Não perdoamos.

Não esquecemos.

Espere por nós.”

PS: tá diferente dos textos anteriores, mas isso precisava ser dito.

Mesmo uma pedra, quando bem lapidada, pode gerar algo belo. (Taken with instagram)

Mesmo uma pedra, quando bem lapidada, pode gerar algo belo. (Taken with instagram)

No amor

Se você está a mando

Ou precisa estar no comando

A todo momento, algo está errado.

(foto do instagram de @gabrielawey)

naquele vestido simples e comum, de menina interiorana, curto e de pano fino, ela andava.

sem saber que mesmo na paisagem anti-natural da cidade, aquilo gerava um desejo inato por tão simples feição.

ele, que sempre viu naquela forma algo dotado de tanta nobreza, que mesmo numa forma tão simplória atiçava sua mente para tão impuros pensamentos.

impuros? não, me expressei errado. não tem como ser impuro algo que está em nossa natureza, em nossos instintos.

talvez sejam as lembranças de tieta, que ele nunca viu, mas que de algum modo permanece provocando em sua mente.

ela, então, provoca timidamente e sem saber dos desejos daquele que lhe admira silenciosamente.

pra ela, só uma roupa do fundo da gaveta. pra ele, uma pin-up bucólica.

e encarava todo aquele corpo, tentando disfarçar olhando nos olhos e fingindo atenção. talvez até estivesse atento, mas vez ou outra seus olhos eram atraídos para tão volumoso busto. ela sabia que desconcentrava e, vez ou outra, quando notava tal olhar sorria. sorria, mas tentava esconder. sem saber que até isso era analisado por seu espião incompetente. nesse jogo de quem viu o quê, passou uma conversa inteira. e ficaram só nisso. não por falta de coragem, mas por aproveitarem o jogo de olhares. na brincadeira mais infantil de esconder e ainda assim no jogo adulto da sedução.

ele chega em casa. ela vem com algumas pedras na boca e dispara contra ele.

fala da falta de confiança na relação, que ele esconde coisas e por aí vai.

ele conversa, briga, reclama que ela anda afastada.

aí abre o coração e diz que quer estar mais tempo com ela.

trocam palavras de amor, carinhos e beijos e vão pra cama

e tem uma ótima noite.

transam como se fossem amantes, naquele ímpeto de realizar o que não se poderia fazer com outro.

fazem amor como um casal de namoradinhos apaixonados, com a inocência natural dos aventureiros na arte de amar.

e numa mistura de transa e amor terminam ficando de bem.

na semana seguinte ela faz tudo exatamente igual.

pessimismo?

— Ah! Por que que vocês terminaram?
— Por que essa é a mecânica da vida. É assim que as coisas funcionam no mundo, tudo tem um fim.
— Nossa! Que pessimismo. Eu nunca namoraria com alguém que já entra num relacionamento pensando no fim.
— Na verdade isso é otimismo. Estou procurando uma pessoa que queira terminar a vida ao meu lado. Se vai ter um fim, que seja comigo.
— …